quarta-feira, 27 de março de 2013

Posições


A pelada estava por começar.

Os times, ou os grupos, divididos.

Adversários uniformizados, chuteira, meião,  conversa ao pé do ouvido.

Técnica, tática, capitão, craque.

Posições definidas.

Posições?

Uniforme?

E agora, como lidar?

Todo mundo sem camisa.

Já é alguma coisa.

E, bom, cada um faz o que bem entender...

E os gols acontecem.

Contra!

“ TÁ ERRAAAAAADOOOOOOOOOOOOOOOO!”

O estivador e o pedreiro foram para a zaga.

Os office boys para as laterais

O pugilista foi para o ataque

E o meio campo?

Só sobraram dois sujeitos, Sócrates e Platão.

Falavam demais, coisas difíceis, diferentes, criavam!

Pensavam!

Será?

Deu certo!

Muito certo!

Deu liga, virou time!

O melhor time de todos!

Até que os meias se aposentaram.

E foram substituídos.

Por gente que , se lá, nem sei pra que tem cabeça.

Porque não foram pra zaga, pro ataque?

Até a grama do meio campo morreu

De saudade.

Uma pena...

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

O melhor do esporte


Semana passada tivemos a trágica notícia de que houve uma morte num estádio de futebol. Mais precisamente no primeiro jogo do Corinthians na libertadores de 2013, fora de casa, contra o San José, clube boliviano da cidade de Oruro.  Um menino de 14 anos, de nome Kevin, foi atingido por um sinalizador marítimo, que atinge 100 metros em cerca de três segundos (!!!), acertando-lhe a cabeça. Tiro, infelizmente, fatal.
É difícil prever ou acreditar em alguma versão das que estão sendo ventiladas, muito por conta dos fatos ainda não apurados. Confesso que é mais difícil ainda confiar na conveniente versão oficial, de que um menor não tenha sido hábil o suficiente com o artefato, a ponto de atirá-lo contra a torcida boliviana. Fato é que o sujeito era brasileiro, parte integrante da torcida organizada do Corinthians presente no estádio. Vejam vocês, torcidas organizadas...
Eu me pergunto até quando os clubes darão voz e vez a esse tipo de gente. Que RECEBE DINHEIRO para (teoricamente) torcer, incentivar, cantar, impor respeito aos adversários, e confunde tudo isso com combater um inimigo, lutar numa guerra até, se preciso a morte.  Até quando teremos fiscalização branda na porta dos nossos estádios? Até quando a Copa Libertadores será o torneio dos gramados ruins, das altitudes desumanas para esporte de alto rendimento, dos ambientes propositalmente hostis aos visitantes? Tem gente que defende esse “tempero da libertadores”, é inacreditável!
A guerra econômica, dos egos, de poder, chega ao triste ponto de desvirtuar o melhor que o esporte pode passar, que são valores de disciplina, de dedicação, de organização. Porque quando uma criança se compromete com uma simples aula de judô, inicialmente como forma de lazer, e começa a cumprir horários de treinos, rotina de exercícios físicos, começa a aprender a competir, sempre querendo ganhar, claro, mas se acostumando com o natural sentimento da derrota, ela está fazendo esporte.  Da melhor e única maneira que ele deveria ser feito. Porque esporte é isso!

E é esse o sentido, essa essência do esporte que deve ser mantida, que deve ser lembrada.

Esses são sinônimos de esporte que eu vou acreditar e defender para sempre. 

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

O craque e o gênio


No inicio deste mês, a FIFA, em sua festa anual de gala, entregou vários prêmios, entre eles o de melhor jogador do mundo. E, mais uma vez, na verdade pela quarta vez seguida, quem venceu foi Lionel Messi. E, mais uma vez, quem ficou com a prata foi Cristiano Ronaldo.

A deliciosa dúvida, que já dura bem uns 5 anos, se reacende. Afinal, quem é melhor? Ronaldo ou Messi?

Sobre o luso, não há como negar que é um fenômeno. Foi o craque do Manchester de Ferguson em 2008, o que não é pouco. Uma peça muito importante no Real de Mourinho e em sua seleção nacional. O caminhão de gols que marca a favor dos merengues fala por si só. E são gols de todas as maneiras: de falta, de cabeça, perna esquerda, perna direita... Têm velocidade e técnica inacreditáveis, o homem é uma máquina! Além de tudo isso, e o que mais me chama a atenção, é sua personalidade. Simplesmente não aceita derrota, não aceita segundo lugar, não quer nem saber de não ser o melhor. 

Mas a disputa é com Messi. Com o genial Lionel Messi.

Dia desses estive pensando sobre o que pode caracterizar os gênios da bola. O que me chama a atenção para considerar alguém não apenas craque, mas genial.
O gênio, na verdade, não me parece pensar. O gênio nasce sabendo. O sujeito genial age por instinto. Precisa de muito pouco incentivo para se mostrar muito melhor do que a maioria de nós. Além disso, ele simplifica as coisas. Deixa uma fajuta impressão de como é fácil fazer o que ele faz.

Isso tudo eu enxergava no Ronaldo e no Zidane. É isso que eu enxergo em Lionel Messi. Sabe exatamente o que deve fazer em campo. Com a bola ou sem ela. E, vejam, não digo que ele não erra. Ninguém é perfeito. Mas eu não o vejo tomando a decisão errada quase nunca. Ele toca quando deve tocar, dribla quando vale a pena driblar, chuta quando o melhor é chutar. E, para pavor dos críticos de plantão, até na seleção Argentina ele está jogando bem!

Desnecessário dizer que os requisitos para gênio são pura e simplesmente opinião minha, fruto de observações feitas por este apaixonado por futebol.

Sobre meus personagens de hoje, agradeço a quem quer que me abençoe por me dar a oportunidade de ver o melhor dos dois.

E torço, de verdade, para que o debate não acabe nunca.

Independente do craque ou do gênio em questão.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Agradecimento

Por Erik Lorenço
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Por favor, leiam até o final! É um texto simples, bem rápido de ler e que não vão se arrepender de ler. Quem puder me ajudar a divulgar agradeço!

Gratidão,
s. f.
1. Reconhecimento (por bem que se nos fez).
2. O ser grato.

Pois bem, 2012 foi um ano extremamente turbulento/difícil/agitado/conturbado. Um ano de muitas mudanças e de uma perda gigantesca, apesar do tamanho. Após uma noite muito mal dormida acordo com a pior noticia, que já recebi até hj. A morte de uma pessoa MUITO amada, MUITO querida, MUITO muita coisa para mim. É algo imutável, inacreditável, inexplicável, imensurável, inaqualquermerda...

Foi, e é, mt difícil ainda. Tenho td muito vivo ainda em minha memória! Desde como começou aquele dia, mt diferente, até a frieza e racionalidade, que não sabia que me era tão peculiar em tais momentos.

Muitos imaginam o que senti, mas poucos, muito poucos, realmente sabem o que senti. Apesar de não parecer mt sou bem reservado/introspectivo com relação a alguns assuntos. 

Naturalmente já observo muita coisa, neste momento então. Pude perceber a solidariedade/compaixão do ser humano, mesmo com algumas ou muitas diferenças são solidários a um momento como esse. Talvez porque se coloquem no lugar da pessoa. Não sei! 

UM MULTIRÃO!!! Apenas para dar um abraço, dizer um: “tamo junto” ou apenas um olhar onde eram ditas muitas coisas.

Caminhou-se um pouco mais e o ano se findando e quase mais um baque. Muita luta, muita união mas este conseguiu ser solucionado. Mas um susto!!!

A todas essas pessoas próximas, não tão próximas, muito próximas e irmãos que gostaria de agradecer. Este texto foi feito para todos vocês que de uma forma ou de outra estiveram “presentes” em todos estes momentos de qualquer forma (sms, facebook, ao vivo etc). Que serviram de apoio, me seguraram, me jogaram pra cima, me ouviram, choraram comigo ou por mim, que se preocuparam de uma forma geral.

Talvez, é talvez, eu não saiba expressar esse sentimento que tenho, por isso o motivo do texto. Gostaria que chegasse ao maior numero de pessoas possíveis pois é algo bem singelo, mas de coração e que pra mim tem muita valia. 

Alguns conseguem enxergar o meu carinho/ gratidão no meu sorriso característico (=D), no meu abraço aconchegante e no meu olhar de admiração. Outros não.
E pela sinceridade que tenho digo: “MUITO OBRIGADO por estarem do meu lado neste momento tão difícil!”

É algo simples, bem simples msm o que estou fazendo, mas que sei que entenderam o quanto significaram pra mim nisto td!

"..Eu sei que lá no céu ela tem vaidade
e orgulho..."

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

O todo Corinthians (e um aviso)


Foi bonito de se ver, deu gosto de verdade. O Corinthians foi campeão do mundo contra o bom grupo de jogadores do Chelsea, que não passou nem perto das bênçãos que recebeu na ultima Champions. Mais importante que a fenomenal vitória foi a forma como ela veio. O clube do parque São Jorge venceu com muita personalidade, venceu do seu modo, como também venceu a Libertadores deste mesmo 2012. Propôs o jogo o tempo todo, foi intenso em cada minuto. Claro que teve a pitada do acaso, vide a inacreditável defesa do Cássio no chute do Cahil. Mas, enfim, quem vive sem ela senhores, quem pode viver sem ela?
E o multicampeão Corinthians tem uma particularidade pouco comum aos grandes times de futebol: não tem um protagonista. Ninguém do time destoa demais, carrega o time nas costas. Não há nenhuma peça da qual passamos o jogo todo esperando algo. O mais importante é, de fato, o todo, o time, o coletivo. Talvez por isso que o torcedor possa se sentir ainda mais responsável pelo sucesso do time, possa se sentir dividindo as responsabilidades e alegrias das vitórias, possa dizer que de fato forma o 12° jogador que tem feito tanta diferença. A fiel torcida Corintiana fez jus ao nome. Invadiu o Japão e fez um Pacaembu do outro lado do mundo! Simplesmente para não duvidar da fé de ninguém, pelo amor...
O forte apoio do estado, que tem como pilares a preferência da principal emissora do pais e, agora, patrocínio de um banco público, nos remetem a equipes vitoriosas como o Real Madrid de Franco, pentacampeão europeu na década de 50, e a Itália de Mussolini, bicampeã mundial na década de 30. Estejamos atentos para que a nosso futebol continue democrático.
De todo modo, Tite, seus comandados e principalmente a torcida Corintiana merecem todos os parabéns! 

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Segregação


De ontem para hoje, fomos brindados com duas novidades, digamos em um primeiro momento, polêmicas do nosso governo federal. Uma delas é decisão tomada, que diz que, já a partir deste ano, teremos cotas de vagas nas universidades públicas federais, que chegarão ao inacreditável número de 50% em 2016. A outra trata de um pacote de ações afirmativas que têm intuito de criar cotas para negros no serviço público. Mais detalhes aqui e aqui.
Duas novidades que me levam a pensar tanta coisa que nem sei por onde começar.
Antes de mais nada, o fato: o governo afirma que negros/ pardos/ indígenas não tem as mesmas condições de concorrer a um lugar ao sol, ao Jardim do Éden que são as universidades públicas e o funcionalismo público. OK. Concordo que para pessoas carentes (vejam bem, CARENTES), fica muito difícil disputar com quem tem mais condições de se preparar. Mas não há como concordar que a melhor maneira para corrigir esta terrível injustiça seja obrigar, impor ditatorialmente a presença destas mesmas pessoas despreparadas no ensino superior/ nos cargos federais públicos.
Não se surpreendam se, daqui a alguns anos, nossa graduação pública se apresentar falida, muito por conta do não aproveitamento dos melhores alunos nos seus concursos. Muito por conta da fuga dos nossos melhores professores, inconformados com o nível em decadência, ladeira abaixo, de seus alunos. Não será surpresa se, num futuro não tão distante, tivermos nosso 3° grau público equiparado, em qualidade, as nossas escolas estaduais e municipais de nível médio e fundamental, aprovadoras automáticas, geradoras de diplomas hipócritas há um bom tempo.
Porque o mais importante num curso, seja ele qual for, são os alunos. Os melhores alunos. Vocês acham que a USP ser a melhor universidade do Brasil e ter o vestibular mais difícil é mera coincidência?
Como citei acima, certamente a falta de oportunidades aos mais carentes é um problema, mas penso que a melhor solução seja investir na educação de base, fortalecer o ensino fundamental e médio, valorizar nossos professores, guerreiros que merecem ser lembrados muito mais que só um dia.
Alunos bem preparados, motivados, com força de vontade, formarão uma geração que não terá problemas com vestibular, com concursos, com o que for.
Formarão uma geração que pense, que critique. Que coisa rara, meu Deus...
Nunca é demais lembrar que estudar é bom. Que se esforçar faz parte. Que nosso atual presidente do STF não precisou da ajuda de cotas.
Por fim, não posso deixar de pedir que todos nós estejamos atentos a um governo que, além de comprovadamente corrupto, se mostra populista e manipulador, fazendo questão da que todos estejam presos às suas rédeas.

Mas a democracia há de resistir.

sábado, 8 de setembro de 2012

Cadê minha seleção?


As vaias à nossa seleção representam muita coisa. Muito mais do que a avaliação de um jogo.

Sobre o time, ou melhor, o grupo de jogadores que têm se reunido para nos representar, não acho que o trabalho está sendo mal-feito, não acho que há algo de muito diferente a se fazer, não acho o Neymar pipoqueiro. A única coisa que sinto falta de verdade é de um cara mais experiente junto do nosso ataque. Já defendi algumas vezes que Kaka, em forma, seria um grande nome, um atleta experiente para dar equilíbrio ao grupo muito jovem de bons jogadores que nós temos. Mas as coisas não tem dado certo no seu clube, uma pena. Portanto, o que está sendo feito em relação à criação/manutenção da equipe é o possível. Não há o que revolucionar.
Sobre como a seleção é vista aos nossos olhos é, este sim, um ponto que há tempos chama minha atenção. Um jogo do nosso selecionado é uma prova cruel, em que somos os professores mais carrascos possíveis, que se colocam numa confortável posição de criticar duramente o insucesso, ou simplesmente ficam sem contra argumentos a uma vitória mais do que obrigatória.
Dai eu dizer que as vaias no jogo de ontem representam mais o do que simplesmente uma avaliação negativa da partida. Traduzem a falta de carinho da nossa torcida. Não há pesar na derrota, e sim um esperado e irônico conformismo. Não há grande alegria na vitória.
Futebol sempre foi uma válvula de escape para nós, motivo de orgulho de sermos brasileiros. Numa nação que ainda não tem uma identidade definida, futebol era nossa ideia comum, nosso exemplo de quanto podemos ser vencedores, do quanto podemos ser imbatíveis. Mas conseguiram tirar esse sentimento de nós.
Porque a partir do momento que vemos nosso campeonato enfraquecido por clubes mais ricos, quando vemos ligas mais organizadas levando nossos craques aos vinte anos de idade, inevitavelmente nos distanciamos dos nossos times. Quando se torna comum sabermos de noticias de escândalos envolvendo organização de copa do mundo, amistosos da seleção, quase tudo que envolve a CBF, fica difícil de continuarmos a ter orgulho. E esse processo de descrédito com nós, torcedores, vem de muito tempo, coisa de mais de 20 anos (coincidência?).  
Quando paramos para ver o jogo do nosso selecionado, já fomos alimentados por muita coisa ruim. Já há preconceitos formados, enraizados em nós.
Ontem, foram traduzidos em vaias.
E, se a coisa continuar no ritmo que está, há de chegar o dia que nossa seleção entrará em campo sob vaias.
Não duvidem. As sementes estão sendo muito bem plantadas.