sexta-feira, 1 de junho de 2012

Acabou


Que o Ronaldinho sairia mal do Flamengo era provável. Muito por ele, haja visto o que houve no Grêmio e no Paris Saint-Germain, e muito também pelo que o Flamengo sempre foi. Todos errados, descumprindo acordos. Quem tinha que jogar bola não jogou. Quem tinha que pagar não pagou.
Mas ontem, quando foi anunciada a saída do dentuço, tive um misto de sentimentos. Claro, pensei criticamente sobre o clube, que é inacreditavelmente mal administrado. Pensei mal sobre o Ronaldo e o irmão, que são mercenários ao extremo. Mas, além disso, fiquei muito triste por ter a certeza que o Ronaldinho acabou.
Por mais que parecesse impossível, sempre fica a esperança que ele vai voltar a jogar, que ele vai ser 30% do que já foi.

Cara, é o Ronaldinho Gaúcho!!

Ele foi o jogador mais espetacular que eu vi. Não foi o melhor. Mas foi o mais espetacular, certamente.
Fez jogadas inacreditáveis, de circo, de propaganda, tudo no campo, tudo valendo! Talvez ele tenha protagonizado os momentos mais emocionantes que eu vi no futebol, como os aplausos que recebeu em pleno Santiago Bernabéu, o gol de falta na copa de 2002. A homenagem que ele recebeu do Barcelona, já como atleta do Milan, em pleno Camp Nou. Aquele memorável jogo contra o Santos na Vila, jogo que me motivou a escrever sobre futebol. Também participou da conquista do penta, da copa das confederações de 2005 (melhor seleção que eu vi), torneios aonde não brilhou tanto, mas marcou presença.

E eu vou sentir muita falta desse Ronaldinho. Uma pena que ele tenha se matado para o futebol.

Ao menos, espero que, de uma vez por todas, se discrimine o sujeito que não cumpre com suas obrigações, que é irresponsável, que justifica um erro com outro. Por mais que se tenha talento, é preciso respeitar regras, cumprir deveres, trabalhar, fazer o que deve ser feito. Isso é o mínimo! 

Não tirar o melhor do dom que Deus nos dá é um pecado mortal.
Uma ingratidão.

domingo, 20 de maio de 2012

Competição desleal


Eles, certamente, eram o time menos temido das semifinais. Técnico novo demais, esquema velho demais, os protagonistas de sempre. Tudo para continuar dando errado, como há quatro anos.

Será?

Não. Desta vez deu tudo certo. Tudo impressionantemente a favor.

O campeonato começou a ficar com a cara do Chelsea quando o Messi perdeu aquele pênalti. Mais do que um ferrolho bem armado, jogadas de bola parada e contra ataques eficientes, eles estavam encantados, abençoados, com sorte, chamem do que quiser. Sorte que fez Messi não ser tão Messi por dois jogos, que fez Robben perder pênalti, que fez um Ramires gelado e decisivo pra fazer um golaço de cobertura em pleno Camp Nou. Sorte que fez um Drogba mais guerreiro do que nunca, que fez questão que ele não saísse vilão, mesmo ele fazendo dois pênaltis nos dois jogos finais.

Vocês devem lembrar que, na semifinal, o Barcelona perdeu um caminhão de gols em Londres, e outros tantos em Barcelona. Sobre a final, só o Mario Gomez perdeu uns três.

O jogo poderia se estender por horas, dias, não teria jeito. Na hora agá, eles resolveriam tudo. O futebol deles não é o mais bonito, não tem os craques das propagandas, fez questão de só  se defender, antifutebol mesmo, com a cara e a coragem! Mas eles estavam abençoados.

E quem pode contra a sorte? Como competir contra a sorte? Aliás, como viver sem ela?
Como diria Nelson Rodrigues, sem sorte não se pode nem chupar um picolé!

A Champions deste ano estava predestinada a ficar em Londres, a ser azul!
Portanto parabéns ao Chelsea! O Campeonato ficou com quem tinha que ficar.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Racionais


Sobre o gol anulado do Vasco, contra o Corinthians, afirmo o seguinte:

·         -Vi o tira-teima da Fox
·         -Vi o tira-teima da globo
·        - Na minha visão, houve impedimento

Hoje não debaterei o  lance em si. Muito complexo, o impedimento foi milimétrico e acredito que o bandeira tenha tido sorte em acertar. E, mesmo que eu esteja errado, portanto sendo legal a jogada, acho covarde crucificar um arbitro num lance que, com replay e imagens mil, ainda temos dúvida sobre o que houve.
O que me chama a atenção é essa teoria da conspiração dos torcedores vascaínos, essa postura ridícula de sempre achar que é o prejudicado, essa absurda tese de que a Globo manipulou o replay, de que a Globo  é a favor do Corinthians.  

Qual é a dificuldade de aceitar que foi um lance de difícil interpretação?
E essa é uma postura que está se tornando comum nos torcedores de futebol. Muita gente tem um certo prazer em ver um erro de arbitragem contra seu time para justificar um resultado negativo, para ter um bom argumento numa possível derrota ou para honrar ainda mais a vitoria em potencial:

“ E JOGANDO CONTRA DOZE HEIN!!!! “

E o pior é ver o Roberto Dinamite, em vez de trabalhar pra tentar resolver, para minimizar influências de arbitragem dentro do campo de futebol, ficar questionando-a depois do jogo. Depois a força jovem vai pra São Paulo cheia de morteiro dentro do pau do bandeirão fica todo mundo puto, chamando os caras de revoltados sem causa!
Enfim, uma bagunça geral, uma briga de homens das cavernas. O Filé, cachorro do meu pai, certamente é mais educado do que todo mundo que eu citei no texto até agora.
Ai eu saio com a camisa do Barça, falo que me empolgo mais com a Liga dos Campeões do que com o Brasileirão, do que com Libertadores, sou tachado de maluco, antipatriota, baba ovo de europeu...

É  mole?

terça-feira, 1 de maio de 2012

Vida e obra

Por André Kfouri


Se Pep Guardiola não ganhar mais nenhum jogo em sua carreira, não importará.
Claro, importará para ele, que terá de sobreviver com as dúvidas existenciais e a respeito da própria capacidade. Que se perguntará se o Guardiola do Barcelona e o dos outros clubes é o mesmo treinador. Que, no fim, lembrará de seu período no Camp Nou com a mesma sensação que temos quando acordamos no meio da noite impressionados com um sonho bom, mas irrecuperável.
Importará para os pragmáticos, os conservadores, os medrosos. Sejam quem forem e estejam onde estiverem. Para os ressentidos, os humilhados, os deprimidos. Que se rendem à antipatia sem sentido, ou ao preconceito mal informado. Para os míopes, os insensíveis, os alienados. Que enxergam, mas não veem.
Importará para seus futuros empregadores, que comprarão sem receber. Para seus futuros jogadores, que estudarão sem aprender. Para seus futuros torcedores, que sofrerão sem vencer. E para seus futuros detratores, que falarão sem saber.
Importará para seus colegas, os bons e os nem tanto. Os bons lamentarão a ausência de um virtuoso, que fez da profissão de técnico de futebol um ambiente em que a criatividade, a ousadia e a fidelidade ainda encontram espaço. Um professor que não se vê merecedor de tal honra, que entende o jogo como entende a vida, caminhos que não valem a pena sem valores. Os bons, os bons de verdade, perderão alguém com quem se comparar, alguém para imitar, alguém para superar.
Os nem tanto se deliciarão com o alívio. A mediocridade os salvará. O fim de cores inalcançáveis aumentará o valor conferido ao cinza nosso de cada dia. Será o triunfo da insipidez, a consagração da nota 6. Melhor ainda, será o argumento que faltava para se deslumbrarem com o que definitivamente não são. Pois eles serão os primeiros a distanciar Guardiola deste Barça, como se um time assim pudesse existir sem um técnico. Baterão no peito e dirão “com aquele timaço, até eu”. Só não terão coragem para fazê-lo em público.
Importará aos infelizes para quem os espetáculos devem se restringir aos teatros e casas de óperas. Que pensam que o resultado final é o que nos define, e não a forma como o buscamos. Que ignoram que respeito se conquista com postura. Que são incapazes de receber as vitórias com classe, as derrotas com gentileza, as oportunidades com gratidão.
Importará para os que não gostam da bola, não são obcecados pelo passe, não acreditam que uma equipe deve se mover pelo gramado como se fosse uma única composição. Importará para os viciados em linhas de quatro, de oito, de onze. Importará para os que não entendem que filosofia de jogo não é uma receita para vencer, mas uma forma de se expressar. Importará para os egocêntricos e os egoístas. Os presunçosos e os pretensiosos. Os perdidos e os iludidos.
Mas para quem percebeu o que ele ajudou a construir nas últimas quatro temporadas, se Pep Guardiola não ganhar mais nenhum jogo, não importará. Em mais cem anos, provavelmente não haverá nada parecido.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Merecer ou não merecer

Dois jogos importantes do meio da semana passada me chamaram a atenção. Um foi a vitória do Barcelona sobre o Milan nas quartas de final da liga dos campeões da Europa. O outro foi a vitória do Flamengo, em vão, na Taça Libertadores da América. O Barcelona venceu e se classificou, bem verdade que com algumas polemicas de arbitragem, já debatidas no último post . O Flamengo, a pesar de vencer, foi eliminado por não ter conseguido, na rodada fatal, resultados agregados que lhe colocassem em posição classificatória no seu grupo.
É quase unânime a opinião de que o Barcelona é um time melhor que o Milan, portanto merecia vencer o duelo. E também é senso quase comum que o Flamengo, por conta de sua incompetência durante a fase de grupos, não merecia se classificar. E minha proposta é que tentemos debater esse merecimento no futebol. O que é merecer ganhar?
Vamos imaginar outro cenário. Supor que, no jogo Barça x Milan, os pênaltis não tivessem sido marcados e o Milan tivesse se classificado. Será que o Milan teria merecido menos a vitória? No caso do Flamengo, supor que os resultados agregados tivessem vindo, classificando o rubro-negro carioca. Seria esta uma classificação injusta? Pouco merecida? Absurda?

FOI A GLOBOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!!!!!!!!!!!!!!
(Me desculpem, tentarei me conter…)

Antes da opinião, devo dizer que este Barcelona é o melhor time que eu já vi, portanto melhor que este Milan, e concordo que o Flamengo fez uma campanha absolutamente ridícula na libertadores. Mas se os resultados tivessem sido diferentes a ponto de classificar os dois rubro-negros, seriam classificações justas sim, merecidas também, porque não? Penso que merecer ganhar é simplesmente conseguir os resultados dentro das regras do jogo, de forma justa, honesta e, preferencialmente ( não necessariamente e muito menos obrigatoriamente) bonita.
Entendo que todos torçam para que o melhor ganhe ou que o pior não ganhe, mas não concordo com esse mérito da vitória só para o melhor. Futebol é feito gols, é essa a pontuação do jogo, é isso que mede méritos e deméritos. Se a vitória vier com espetáculo do vencedor melhor, mas se não for assim, devemos aplaudir da mesma forma.
Merecimento e torcida são coisas diferentes senhores, bem diferentes.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Combinado não sai caro

Minha opinião sobre as polêmicas decisões da arbitragem no jogo entre Milan e Barcelona desta semana



Em primeiro lugar, não houve pênalti em nenhum dos dois lances. 

Tratando-se de  futebol, nem sempre o melhor vence, vide Holanda na copa de 74, Brasil na copa de 98, Barcelona no campeonato mundial de 2006, entre outros.

Portanto, não é porque o Barcelona é (MUITO) melhor que a vitória foi justa. Eles foram ajudados pelas infelizes decisões da arbitragem. E, no futebol atual, no esporte de alto rendimento de forma geral, em que qualquer pequena decisão tomada faz enorme diferença, estes erros de arbitragem não podem ser relevados, não podem ser ignorados em prol da “justiça da bola”. Aliás, arbitragem é o maior problema (dentro do campo) do futebol atual, do futebol dos detalhes. Já passou da hora de ser revista. Mas isso é outro papo...

O Barcelona é melhor e foi melhor nos dois jogos. Mas fez gols, que é o que realmente importa, de forma irregular. E ponto.

Nenhum jogo deve ser decidido pela justiça. Ele deve ser decidido pelas regras. As regras sim devem ser aplicadas de forma justa e coerente PARA OS DOIS COMPETIDORES! E isso não foi feito.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Chico Buarque (estreando na Pauliceia) e Pelé

Eu precisava dividir isso com quem ainda tem o saco de me ler.
Eu precisava guardar isso pra mim, pra sempre!!!


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Por LUIZ GUILHERME PIVA

Num encontro entre os dois, o Chico Buarque perguntou ao Pelé se ele sonhava e com o quê ele sonhava. “Porque”, explicou Chico, “eu sempre sonhei em ser o Pelé!”.
A música nunca foi o forte do Rei, mas ele fez suas tentativas. O Chico talvez não jogue bem, mas usou muito o futebol nas letras de suas canções.
Há uma aproximação entre futebol, poesia e música.
Diz-se de um grande time que ele joga por música, de um grande jogador que ele é pura poesia, de um grande compositor que ele é um craque. Ou que bate um bolão.
Mesmo nas escalações dos grandes times, há uma métrica quase natural na sua escansão, formando versos que lembram frases melódicas.
Grandes meio-campos formam redondilhas – que são os versos de sete sílabas, imensamente predominantes na poesia, na música e mesmo na fala.
Piazza e Dirceu Lopes. Dudu e Ademir da Guia. Pintinho e Rivelino. Falcão e Carpeggiani. Andrade, Adílio e Zico. Dinho, Cerezo e Raí.
E os grandes ataques formam alexandrinos, que são os versos dodecassílabos, muito usados em sonetos. São considerados nobres e de difícil construção.
Garrincha, Didi, Pelé, Vavá e Zagallo. Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. Jairzinho, Tostão, Pelé e Rivelino.
Mas há ainda o alexandrino clássico, considerado o mais difícil de ser construído, por suas regras restritivas.
Ele exige que a acentuação tônica recaia sobre a sexta e a décima-segunda sílabas.
Exige também que o final da primeira parte (seis sílabas), chamada de primeiro hemistíquio, ocorra em oxítona ou em vogal.
E exige que cada hemistíquio tenha seu sentido autônomo.
Pois bem. Há um ataque destes. Que atende a todas essas regras. E que, se existisse, talvez fosse de fato o melhor ataque da história do futebol brasileiro.
Mané, Didi, Pelé, Pagão e Canhoteiro.
Como nos três anteriores, Pelé está neste ataque alexandrino clássico.
E quem o escreveu, como letra de canção, foi o Chico Buarque.
Que, aliás, bate um bolão.

Fonte : http://blogdojuca.uol.com.br/2012/03/chico-buarque-estreando-na-pauliceia-e-pele/