Que o Ronaldinho sairia mal do
Flamengo era provável. Muito por ele, haja visto o que houve no Grêmio e no Paris
Saint-Germain, e muito também pelo que o Flamengo sempre foi. Todos errados,
descumprindo acordos. Quem tinha que jogar bola não jogou. Quem tinha que pagar
não pagou.
Mas ontem, quando foi anunciada a
saída do dentuço, tive um misto de sentimentos. Claro, pensei criticamente
sobre o clube, que é inacreditavelmente mal administrado. Pensei mal sobre o
Ronaldo e o irmão, que são mercenários ao extremo. Mas, além disso, fiquei
muito triste por ter a certeza que o Ronaldinho acabou.
Por mais que parecesse impossível,
sempre fica a esperança que ele vai voltar a jogar, que ele vai ser 30% do que
já foi.
Cara, é o Ronaldinho Gaúcho!!
Ele foi o jogador mais
espetacular que eu vi. Não foi o melhor. Mas foi o mais espetacular,
certamente.
Fez jogadas inacreditáveis, de
circo, de propaganda, tudo no campo, tudo valendo! Talvez ele tenha
protagonizado os momentos mais emocionantes que eu vi no futebol, como os
aplausos que recebeu em pleno Santiago Bernabéu, o gol de falta na copa de
2002. A homenagem que ele recebeu do Barcelona, já como atleta do Milan, em
pleno Camp Nou. Aquele memorável jogo contra o Santos na Vila, jogo que me
motivou a escrever sobre futebol. Também participou da conquista do penta, da
copa das confederações de 2005 (melhor seleção que eu vi), torneios aonde não
brilhou tanto, mas marcou presença.
E eu vou sentir muita falta desse
Ronaldinho. Uma pena que ele tenha se matado para o futebol.
Ao menos, espero que, de uma vez
por todas, se discrimine o sujeito que não cumpre com suas obrigações, que é
irresponsável, que justifica um erro com outro. Por mais que se tenha talento,
é preciso respeitar regras, cumprir deveres, trabalhar, fazer o que deve ser
feito. Isso é o mínimo!
Não tirar o melhor do dom que
Deus nos dá é um pecado mortal.
Uma ingratidão.